Então percebe que sua mente não para de funcionar, está sempre pensando como irá executar as atividades que precisa, como irá resolver seus “problemas”,   a preocupação não tem limites, é difícil manter a calma, parece que o ar irá acabar, o coração não irá mais caber no peito, e sairá pela boca, as mãos e pés tremem, o corpo sua, os músculos ficam tensos, tornando cada vez mais difícil de relaxar, parece que tudo irá dar errado, a angústia aumenta, não consegue dormir, o humor altera, parece que você se irrita mais fácil, às vezes demonstra agressividade, falta de paciência, e acaba agindo por impulso.

Parece que o futuro não existe, o que existe é um presente cheio de tensão e preocupações excessivas. As únicas coisas que ouve é “Você está exagerando”, “Isso é coisa da sua cabeça”, “Pare de ficar fazendo drama”, “É algo tão fácil”, “Quanta ansiedade, o mundo não vai acabar hoje”.

A dor de viver esse drama torna-se cada vez maior, agora o que paralisa não são somente os sintomas causado pela ansiedade, mas a falta de compreensão, de empatia, de apoio. As pessoas agem como se estivéssemos a possibilidade de escolher se queremos ficar ansiosos ou não, depressivos ou não, agem como se os sintomas fossem algo capaz de ser cessado em instantes, assim como uma dor de cabeça ao tomar um remédio.

Doí muito olhar para as pessoas e ver como elas dão importância aos sintomas físicos, mas esquecem dos sintomas mentais. Doí chegar ao médico achando que está tendo um ataque cardíaco e ele dizer que não é nada, é apenas uma crise de ansiedade. Como dói sentir-se incompreendida, doí não ter um apoio, não ter alguém que nos encoraje e nos ajude a aliviar a dor.

Dói muito ter que apresentar um trabalho na faculdade, ter que falar com o supervisor, funcionários, ou ir a frente da igreja para dar um recado, e perceber que as pernas travam, que a mente parece uma folha  em branco, cujo os conteúdos foram apagados. Dói saber que você tem um grande potencial, mas que muitas vezes não consegue demonstrá-lo, pois o nervosismo o trava. Doí saber que algo irá acontecer somente daqui alguns meses, mas que já não consegue dormir, pensando em como irá resolvê-lo. Dói não conseguir enxergar possibilidades para resolver situações, sentindo-se inútil.

Mas, o que mais dói é pensar que muitas vezes é  preciso sofrer calada, porque outros não irão te entender, acharão que está se vitimizando, somente para que sintam pena e lhe dê atenção.

É uma dor que não se mede, que não se explica, dor que precisa ser ouvida, acolhida. Dores decorrentes de traumas, de vivências. Lembre-se, por trás de um sintoma há histórias que precisam ser ouvidas e compreendidas, histórias de alguém que é ansioso, porque o mundo sempre demandou de mais sobre ele, de alguém que não pode fazer suas próprias escolhas e quando precisa fazê-las sente-se angustiado. Mas acima de tudo, alguém que jamais desistiu de lutar, alguém que já ganhou muitas batalhas e  luta para que um dia ganhe a guerra, mas que para isso precisa de nossa compreensão, nosso apoio e principalmente, nosso amor.

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Jessica Rodrigues
Psicóloga, apaixonada pela vida, a qual procura aproveitá-la ao máximo. Sua filosofia é ser sempre a melhor versão de si, a fim de somar a vida de outros.

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